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Quando penso em ti
Quando penso em ti em 04/02/2010
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Os dias passam e eu sinto a tua falta.


Não consigo tirar-te da cabeça, por um só minuto que seja.


É devastador saber que estás longe, sentir que nunca mais vamos ser o que já fomos... mas amar-te. Amar-te loucamente e tão cegamente, que sou capaz de ignorar todos os contratempos, todas as quedas que ainda hoje dou.


Mais estranho é, ainda, aceitar resignado este amor que te tenho. Como só estando à espera que ele vá. Mas eu sei que ele não vai. E no fundo no fundo, eu também não quero que ele vá.


Sinto-me bem, mesmo distante, mesmo com poucas notícias, tu enches-me o coração, e mais ninguém faz isso comigo. Eu gosto de me sentir assim.
Acreditar nos meus sonhos, que ainda sinto o gosto do teu beijo, o calor das tuas mãos e a ternura dos teus abraços.


Quanto ao passado... a única coisa agora que me liga ao presente, é aquela frase, que diz "que bem que me sabe agora, o mal que me fizeste".
Pois é esse "mal" que eu hoje recordo com ternura. Sim, houve coisas realmente erradas, de ambas as partes.
Mas poderei lá eu esquecer o dia em que dei o meu primeiro beijo, verdadeiramente... sem ser para agradar a amigos, sem ser para ter algum momento para recordar...
Quando andamos de mãos dadas até ao Russio... só tive pena de não entender na altura, aquilo por que tu passavas, e que curiosamente também já eu havia passado, precisamente, quando tinha 17 anos.


Hoje és mulher feita.
Já te desconheço as mãos. E tudo o resto, infelizmente.
Reconheço-te apenas a voz. Está na mesma. Linda, encantadora como sempre.


O que mais me surpreende é no meio de tanto sentimento, não restar qualquer ímpeto de lutar.
Talvez por te amar tanto e por te respeitar tanto, e saber que não sentes nada por mim... talvez seja esse respeito que me impede de lutar.
Esse, ou talvez o medo de, lutando pelo teu amor, perder de vez a tua amizade.
E depois, que armas para lutar teria eu?
Seria uma luta sempre desleal... eu estou a mais de 300km, e não tenho jeito para presentes nem para insistências.


Às vezes vejo aqueles tipo snas telenovelas, que tanto fazem por elas que acabam por conseguir... mas eu não sou capaz. Não por não te amar de facto, mas porque não faz parte do meu feitio. Isso implica que por momentos eu esteja a desrespeitar, e eu não consigo.


Mas se tu soubesses, cara Elsa, o quanto eu te amo... o quanto me lembro daquela carta, o quanto me lembro de todos os telefonemas que eu na altura, valorizava mas não sei, via sempre um segundo sentido... ou eram para me fazer a vontade, ou era para eu não ficar triste, ou era para tu cumprires os teus compromissos...
Hoje sei que namoro, quando é por vontade, não é um compromisso. É um gosto. Um agrado que vivemos todos os dias.
Sinto isso, ao olhar para trás e ver que nunca me comprometi a nada, contigo. Estive contigo sempre, por que quis.


Não posso ter o teu amor. Mas como amigo eu darei tudo o que estiver ao meu alcance. Gostava de um dia, poder voltar a ser o teu maior amigo.


Talvez não acredites, mas a única coisa pela qual eu sou capaz de lutar, e pela qual tenho lutado, é pela nossa amizade...
O amor... tu sabes que te amo. E eu também sei que fiz muita coisa entretanto, que te deixaria de pé atrás por muito que tu pudesses gostar de mim.
E também sei, que vais acreditando cada vez mais nas minhas palavras, à medida que o tempo fôr passando e continuares a saber que te amo, e que gosto de ti, muito, muito mesmo.
Mesmo que, infelizmente, não possas corresponder-me.


Porque escrevo este texto tão explícito?
Simplesmente, porque primeiro, acredito na possibilidade de o leres.
Segundo porque tenho saudades tuas e porque hoje me lembrei muito daquela tarde no Russio, do primeiro beijo, do primeiro abraço, e do impressionante toque das tuas mãos.


Porque me lembrei hoje das aguniantes dúvidas de uma adolescente, e eu, um jovem algo mais vivido, que não soube fazer nada, mas devia ter feito, pois também eu tinha sentido essas angústias.


Não és mais a menina de 17 anos. Nem eu estou preso a essa imagem.
Para mim hoje tu és a mulher de 20 anos. A mulher que qualquer homem com cabeça tronco e membros gostaria de ter.
E tu sabes... podes ter mudado um ou outro aspecto, mas a tua essência mantém-se, e eu conheço-te bem, ainda...


Mas enfim, essas são as únicas recordações que tenho, da menina de 17 anos...
Lembre9i-me do amargo de te quererem fazer passar pela mesma experiência que eu passo, todos os dias: não ver. Foi arrepiante.


Tudo isto para te dizer que te amo. Para te dizer que te respeito e que não vou lutar pelo teu amor, apenas pela tua amizade, mas que isso não quer dizer que me esqueça de ti, ou que o meu amor por ti esteja a abrandar.
É apenas o respeito que move a minha imóvel atitude.
Mas, as memórias, dos mais pequenos pormenores, tudo... e tudo tem uma delícia indescritível, quando oiço cada música nossa, quando oiço cada música que escolhi para as minhas montagens de som...
Todas as tuas fotografias que mesmo não vendo, guardo com carinho. As tuas descrições, aquela foto em que fazes publicidade ao livro dos castelos hehe


Eu também adoro viajar... mas o peso ainda é muito grande. A dor ainda é muito grande, cada vez que me lembro da história do cego que impedia a mulher de ver televisão, tirar fotografias e viajar... história que desde já te digo que é falsa. Não há nenhuma história assim.
E muito menos que tenha ido à televisão, ao programa do Goucha ou da Fátima Lopes nem tão pouco do Jorge Gabriel.
Foi uma história inventada... mas para mim, um golpe tão baixo, tão inesperado... que me impede hoje de fazer essas viagens que eu gostava.
Só umas, mantenho em mim.
As viagens pelo meu mundo. Os dias em que saio a correr a dizer bom dia e a distribuir abraços. Os dias em que dou a mão a pessoas com quem nunca estive; as madrugadas em que vagueio pela cidade, só pelo prazer de sentir o ar frio e limpo da matina; enquanto vejo cafés a abrirem portas, quiosques, escolas, autocarros que começam a circular bem cedo na estrada, deixando pais no trabalho e filhos na escola...
E as viagens ao passado, em que tu estás cá. Os dias em que por momentos vivemos juntos, foram apenas 3 dias, mas no fundo foi isso que aconteceu. Na mesma casa.
Almoçamos, jantamos, vimos televisão, tudo juntos...
Foram os dias mais lindos da minha vida...


Amo-te...


Carlos Bonaparte

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