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em 10/09/2008
Link permanent for this image Acordei cheia de frio. Onde estava? Que fazia eu aqui? Há pois, a tal solidão necessitada. Que deveria eu fazer agora? Voltar? Não, ainda não estava preparada. Continuei a infiltrar-me cada vez mais na floresta. Eu conheço isto, eu sei que conheço. Eu acho.. Será que já deram pela minha falta? Eu volto, mas não hoje. Preciso de tempo. Preciso mesmo de encontrar o meu eu. Conseguirei eu continuar a viver com todas as desilusões que me deram? Talvez consiga ultrapassar o medo de voltar a viver, de voltar a ser feliz. Eu sou feliz, com a minha melhor amiga e os meus irmãos. Simplesmente preciso de voltar a encontrar-me, a minha razão. Ouvi um barulho nos arbustos perto de mim. Aproximei-me um bocado para tentar perceber o que era, sem sequer pensar nos perigos que poderia estar a enfrentar. Foi então que de lá saiu um animal, vindo em direcção a mim. O susto foi tão rápido que ao afastar-me para trás tropecei e caí. Mas porquê o susto? Não passava de um cachorrinho branco. Mas que fazia ele aqui, sozinho? Parecia um lobo bébé, devido à sua pelagem. Mas lobos aqui em Portugal? Duvido. Parecia assustado, tão assustado quanto eu, minutos atrás. Estiquei a minha mão lentamente para lhe dar a cheirar e a perceber que eu não lhe queria fazer mal nenhum. Aos poucos lá descontraiu e deixou-me pegar-lhe. Que estranho um cachorro aqui metido, sozinho, tão longe da população. Agarrei-o firmemente nos meus braços, até que ambos encontramos o sono. Somente eu posso auscultar os passos que se darei em direcção à minha luz, ao que desejo mudar. Meus sonhos nunca passaram de um mero poço de destruições, de desejos inalcansáveis. Tudo o que se deseja, no fundo, é o auto-consumo de nós próprios ao que pensamos de uma vida melhor. Temos de despertar em primeiro lugar, o bom senso dentro de nós. Conseguirei fazer isso? A intenção dos nossos actos, a razão dos nossos passos. Tristeza, dor, solidão, desilusão, ódio, desespero.. sentimentos enfrentados no meu dia a dia. Posso nem sempre sair vitoriósa desta imensa luta, mas pelo menos saberei que perco o meu folêgo a tentar. A desejar algo melhor. Como conseguirei encarar novamente o meu presente, se tudo o que mais me faz sentido, é refurgiar-me de tudo e de todos, na minha solidão? Olhem só o que é de mim. Eu não era assim. Santa Maria Da Feira Agosto, 2008 |
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