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Animal Abuse and Cruelty :'x

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# 4
# 4 em 06/10/2008
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DIÁRIO DE UM
(POBRE) CÃO:





1ª Semana:
Hoje completei uma semana de vida. Que alegria ter chegado a este mundo !



1 Mês: A minha
mãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar !



2 Meses:
Hoje separaram-me da minha mãe. Ela estava muito irrequieta e, com o seu olhar,
disse-me adeus. Espero que a minha nova "família humana" cuide tão
bem de mim como ela o fez.



4 Meses:
Cresci rápido, tudo me chama a atenção. Há várias crianças na casa e para mim
são como irmãozinhos. Somos muito brincalhões, eles puxam-me o rabo e eu mordo-os
na brincadeira.



5 Meses:
Hoje deram-me uma bronca. A minha dona ficou incomodada porque fiz xixi dentro
de casa. Mas nunca me tinham ensinado onde deveria fazê-lo. Além do que, durmo
no hall de entrada. Não deu para aguentar.



8 Meses: Sou
um cão feliz! Tenho o calor de um lar; sinto-me tão seguro, tão protegido...
Acho que a minha família humana me ama e me dá muitas coisas. O pátio é todinho
para mim e, às vezes, excedo-me, cavando na terra como os meus antepassados, os
lobos quando escondiam a comida. Nunca me educam... Tudo o que faço deve estar
correcto.



12 Meses:
Hoje completo um ano. Sou um cão adulto. Os meus donos dizem que cresci mais do
que eles esperavam. Que orgulho devem ter de mim !



13 Meses:
Hoje acorrentaram-me e fico quase sem poder movimentar-me até onde tem um raio
de sol ou quando quero alguma sombra. Dizem que me vão observar e que sou um
ingrato. Não compreendo nada do que está a acontecer.



15 Meses: Já
nada é igual... Moro na varanda. Sinto-me muito só. A minha família já não me
quer ! Às vezes esquecem-se que tenho fome e sede. Quando chove, não tenho um tecto
que me abrigue...



16 Meses:
Hoje tiraram-me da varanda. Estou certo de que a minha família me perdoou. Eu
fiquei tão contente que pulava com gosto. O meu rabo parecia um ventilador.
Além disso, vão levar-me a passear ! Dirigimo-nos para a estrada e, de repente,
pararam o automóvel. Abriram a porta e eu desci feliz, pensando que passaríamos
o nosso dia no campo. Não compreendo porque fecharam a porta e se foram.
"Ouçam, esperem!" Ladrei...... Esqueceram-se de mim....... Corri
atrás do carro com todas as minhas forcas. A minha angústia crescia ao perceber
que quase perdia o fôlego e eles não paravam. Tinham-me esquecido !



17 Meses:
Procurei em vão encontrar o caminho de volta para casa. Estou tão só e sinto-me
perdido ! No meu caminho existem pessoas de bom coração que me olham com
tristeza e me dão algum alimento. Eu agradeço-lhes com o meu olhar, do fundo da
minha alma. Eu gostaria que me adoptassem: seria leal como ninguém ! Mas apenas
dizem: "Pobre cãozinho, deve ter-se perdido."



18 Meses: Um
dia destes, passei perto de uma escola e vi muitas crianças e jovens como os
meus " irmãozinhos". Aproximei-me e um grupo deles, rindo, atirou-me
uma chuva de pedras "para ver quem tinha melhor pontaria". Uma dessas
pedras feriu-me o olho e desde então, não vejo com ele.



19 Meses:
Parece mentira. Quando estava mais bonito, tinham compaixão de mim e
demonstravam carinho. Já estou muito fraco; o meu aspecto mudou. Perdi o meu
olho e as pessoas mostram-me a vassoura quando apenas quero deitar-me numa
pequena sombra.



20 Meses:
Quase não posso mexer-me ! Hoje, ao tentar atravessar a rua por onde passam os
carros, um acertou-me ! Eu estava no lugar seguro chamado "passeio",
mas nunca esquecerei o olhar de satisfação do condutor, que até se vangloriou
por me acertar. Oxalá me tivesse morto ! Mas só me deslocou as patas traseiras…
A dor é terrível ! As minhas patas traseiras não me obedecem e com dificuldade
arrastei-me até á relva, na beira do caminho. Faz dez dias que estou deitado
debaixo do sol, da chuva, do frio, sem comer… Já não posso mexer-me… A dor é
insuportável ! Sinto-me muito mal, fiquei num lugar húmido e parece que até o
meu pêlo está a cair... Algumas pessoas passam e nem me vêem; outras dizem:
"não te chegues perto cão feio e mal cheiroso". Já estou quase
inconsciente; mas alguma força estranha me faz abrir os olhos. A doçura da sua
voz fez-me reagir. "Pobre cãozinho, olha como te deixaram", dizia...
Com ela estava um senhor de avental branco. Começou a tocar-me e disse:
"Sinto muito minha senhora, mas este cão já não tem remédio. É melhor que
pare de sofrer". A gentil senhora, com as lágrimas rolando pelo rosto,
concordou. Como pude, mexi o rabo e olhei-a, agradecendo-lhe que me ajudasse a
descansar. Somente senti a picada da injecção e dormi para sempre, pensando em
porque tive que nascer se ninguém me queria...


CíntiaPontes .











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