carlos_bonap
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homenagem em 03/02/2012
Link permanent for this image Homenagem ao meu quartoQuarto. Companhia dos meus momentos de solidão. Relatador dos meus jogos de futebol, e daqueles que realmente aconteciam. Fôste palco dos meus mais gloriosos momentos e cama das minhas maiores derrotas. Foi em ti, meu quarto, que senti o bom sabor da vida, na boca daquela jovem mulher, que me ensinou o verdadeiro sentido de amor. Fôste o último local onde recebi visitas. Foste as noites mais tranquilas que dormi, os sonhos mais bonitos que já tive; foste as diretas mais alucinadas e as manhãs mais elariantes. Fôste a praia reconfortante das minhas lágrimas. Viste nascer a rádio, e felizmente não a verás morrer, como viste aquelas amizades, aqueles amores idos, em tempos muito longínquos... Hoje, pela primeira vez, meu quarto, eu consegui olhar para o passado e pensar, a 100%: isto é passado. Voltei ao meu Skype, e apercebi-me que o tempo passou. Convivi de frente com o tempo. Percebi que, por muito que goste daquelas pessoas que lá se encontram, elas não passam de meras saudades; algumas sim, potenciais amigáveis reencontros. Mas a maior parte, talvez já nem tenha mais aquele Skype. Vou deixar-te, meu quarto. As paredes desta casa vomitam-me para lá para fora. mais de 6 anos aqui dentro, entre o final da adolescência e o princípio do adultismo, é quase mortífero. Mas vou mesmo ter que te deixar. Vou para um outro quarto, que jamais serás tu, que até pode ser palco onde surja o meu primeiro filho... mas não será aquilo que hoje és e sempre serás, tal como os outros quartos onde dormi, não são o que tu és. Pois em cada um, o pôr do sol é único. Mas tu; tu fôste especialmente único. É inevitável não me recordar daqueles dias de Agosto de 2007, ou daquelas tardes do Verão de 2008, mais frescas em 2009, mas válidas, e sinceras... Aqueles dias em que vibrei com cada golo que se gritava no Futebol em Portugal, em que festejava cada chegada a casa depois de uma vinda da Universidade. No primeiro quarto eu era um bebé, no segundo uma criança. No terceiro um adolescente. No quarto, só lá estive 6 meses, foi a ponte, o sinal da mudança... E foi em ti que me fiz homem. Foi em ti que aprendi a valorizar-me, a querer-me bem. Foi no meu quarto que dormi na noite antes de ir ter com a minha irmã Sara. Foi em ti que abracei com mais força os meus peluches, que vão continuar a acompanhar-me. Irei para uma outra casa, e a incerta contagem decrescente já começou. Vão quebrar-se os elos físicos daquilo que me mantém socialmente vivo. Vou perder a minha cama, os banhos de imersão quando os quisesse... para os outros é fácil. Para quem já quase não tem nada, qualquer pouco é muito. Já sei que um outro quarto pode ser e será também, palco de muitas vitórias minhas... Mas este, este... eu não estou a conseguir aceitar a mudança, embora saiba que tem de ser... é a primeira vez que me acontece... Fica esta singela homenagem escrita, à coisa mais impensável para muitos de vós: a um quarto. Carlos |
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