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"Ausencia" em 12/07/2008
Link permanent for this image É cedo. O dia nasce e consigo a gélida promessa de mais um duro dia de inverno. Agasalho-me; o meu casaco de pelo branco, umas botas quentinhas, umas luvas...ah! E não pode falhar o meu gorro ás risquinhas que vai comigo para todo lado esta estação. Saio á rua, uma réstia de luz. O sol ainda dorme algures, talvez nem apareça hoje. Estou contente por ter trazido as botas. A neve bate-me no joelho, é fria. Por esta altura teria os pés geladissimos caso tivesse cometido o erro de calçar as sapatilhas pretas. A cidade dorme, numa calma aparente que antecede o dilúvio. Que silêncio, algo mudou... Um floco de neve, um arrepio... Ausento-me. Saio de mim. “Terei saído?” Estou dentro deste corpo e não sou eu, nao me comando. Caminho errante, desconheço viagem e destino. “Caminho?” Estou parada, vou andando... Uma lágrima aquece a face outrora minha. O vento cortante congela-a. Belo pingente, quase diamante. Estou longe sentindo-me aqui. Estou aqui sentido-me longe. Encontro-te do lado de lá, sigo-te com os olhos. Novamente um arrepio. Serás tu ou o frio que me varre o corpo, que me congela o pensamento? Oh...sim...! Uma aragem, um bafo quente. Na carrinha azul parada aqui em frente vejo-me, sou ausente de mim. Perco-me! Faces rosadas, olhos baços. Sou estranha em mim. Cruzas-te com o meu horizonte, menino de sorriso apagado. Reconheço em ti as minhas lágrimas. É tortura ver-te chorar! Acordo. Estou presente. Sinto-me neste lugar, neste corpo, sinto-me em mim. Parás mesmo á minha frente. Enrolo-me em ti num terno abraço, seco-te os diamantes com um beijo. Entramos no mesmo compasso, seguimos o mesmo caminho de mãos dadas. Para onde não importa. És a minha doença, és a minha cura. Só estou em mim, estando em ti. |
tita29
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